Blocos de memórias — histórias do Conjunto Residencial da USP (Crusp)
TCCIvan Moraes Conterno – 2024
Ivan recupera 60 anos de história do Crusp por meio de entrevistas, levantamento documental e revisão de estudos anteriores.
O trabalho reúne relatos de ex-moradores e pesquisadores, abordando diferentes momentos do conjunto — da construção à reocupação.
Ex-morador, Ivan propõs a criação deste memorial digital dedicado à documentação do Crusp, como forma de reunir e disponibilizar a produção sobre a moradia.
(Texto: Rodrigo Tembiú)
"Operação Crusp": um assalto à autonomia universitária
Dayane Soares da Silva – 2021
Dayane analisa a operação de 17 de dezembro de 1968 e suas consequências.
A historiadora comparou fontes oficiais e testemunhos de ex-moradores para discutir a relação entre o fechamento do Crusp, a intervenção militar na universidade e o debate sobre autonomia universitária.
Permanência, pertencimento e travessia: reflexões sobre saúde mental na moradia estudantil da USP (Crusp)
Vanessa Silva dos Santos – 2021
Vanessa, psicóloga que atende o Crusp através do Centro de Saúde Escola Samuel Barnsley Pessoa, analisou o sofrimento psíquico dos residentes a partir da escuta clínica e da observação dos discursos presentes no trabalho.
O estudo propõs a criação de estratégias de apoio baseadas na escuta coletiva e na articulação entre saúde mental e políticas de permanência estudantil.
Entre gritos de "canalha" e painéis pré-fabricados: desafios para o reconhecimento e salvaguarda do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo como patrimônio cultural universitário
Gabriel de Andrade Fernandes; João Pedro Barbosa; Beatriz Barsoumian Carvalho – 2020
Os autores, vinculados ao Centro de Preservação Cultural da USP, discutiram as possibilidades de preservação do Crusp como bem cultural.
A possibilidade apresentada foi de uma patrimonialização que levasse em conta tanto o valor arquitetônico quanto as práticas culturais, cotidianas e a memória coletiva dos moradores.
Nesse sentido, buscaram compreender como conciliar a conservação arquitetônica modernista com as transformações sociais e políticas que o conjunto experimentou, em especial o grito de “canalha” observado pelo autor ex-cruspiano João Pedro.
Qual cuidado demanda o Crusp?: uma cartografia clínica via narrativa
Cesar Dias de Oliveira – 2019
Em uma dimensão psicanalítica, Cesar, ex-estagiário da Superintendência de Assistência Social da USP na época, investigou as dimensões institucionais e simbólicas da moradia estudantil.
Com base na cartografia clínica via narrativa e na fenomenologia existencial, o autor acompanhou moradores e relatou o cotidiano do conjunto como experiência de convivência e vulnerabilidade.
A livraria Banca da Cultura do Crusp — uma história
Sandra Reimão; Flamarion Maués; João Elias Nery – 2014
Escrito por pesquisadores da história da censura aos livros no Brasil, que examinaram o papel da Banca da Cultura, criada em 1967 no espaço de vivência do Crusp.
A banca foi espaço de sociabilidade e circulação de livros e ideias em um período de censura crescente.
A investigação demonstrou como a livraria integrou o ambiente político e intelectual que se formou no movimento estudantil e que foi interrompido pela intervenção militar.
Para isso, os historiadores se debruçaram sobre o Inquérito Policial Militar do Crusp publicado em 1970, além de entrevistas e consultas a jornais da época.
A pré-fabricação na trajetória, de Eduardo Kneese de Mello
Roberto Alves de Lima Montenegro Filho – 2012
Roberto analisou como o seu bisavô Eduardo Kneese de Mello, arquiteto que criou o projeto do Crusp, desenvolveu uma carreira experimental na arquitetura apoiada na racionalização e na pré-fabricação.
O pesquisador redesenhou o projeto original do conjunto, um marco experimental de construção seriada voltada à habitação de interesse social, comparando as soluções pretendidas com as executadas.
Roberto teve acesso ao acervo pessoal do arquiteto como fonte documental.
Reconhecimento e enfrentamento de necessidades de estudantes com uso problemático de drogas em moradia estudantil
Marilia Rita Ribeiro Zalaf – 2012
A assistente social retorna ao tema de sua pesquisa anterior avaliando a efetividade do atendimento de seu trabalho.
Nesse trabalho, a pesquisadora destaca que o uso de drogas é ilegal e que leva à perda da vaga de moradia, uma contradição em relação ao acolhimento necessário aos casos apontados.
Uso problemático de álcool e outras drogas em moradia estudantil: conhecer para enfrentar
Marilia Rita Ribeiro Zalaf – 2007
Marília era assistente social da Coseas e coordenadora do projeto Na Boca do Crusp - Prevenção e Acolhimento, no qual observou o uso de drogas no Crusp considerando condições de vulnerabilidade social e emocional, como a solidão, o estresse, o desemprego e as dificuldades financeiras.
Através de entrevistas e análise qualitativa, a pesquisadora rasga elogios às próprias políticas de prevenção e de tratamento.
A toponímia oficial e espontânea na Cidade Universitária — Campus Butantã da USP
Lídia Almeida Barros – 2003
Em 1983, Lídia Almeida Barros era estudante de Letras, curso que funcionava nos prédios do Crusp, e realizou a pesquisa de campo coletando de informações sobre a atribuição espontânea de nomes de locais do campus dados pelos estudantes.
O texto explica a origem dos nomes dados à Praça do Bidê, à Reitoria Nova e aos apartamentos identificados como Arca de Noé, mostrando como os cruspianos deixaram marcas simbólicas permanentes na paisagem da Cidade Universitária.
O Crusp: processos de socialização e consumo de drogas
Thaís Helena Mourão Laranjo – 2003
Thaís obteve auxílio da Coseas e realizou entrevistas com 20 cruspianos para identificar festas, churrascos e encontros nos quais ocorriam o consumo de drogas.
A psicóloga propõs uma leitura crítica da estigmatização histórica associada aos moradores como usuários de drogas.
Brasil Livre
Jorge Miguel – 2014
O pesquisador independete Miguel desenvolveu ao longo de 20 anos uma pesquisa sobre a história da União Nacional dos Estudantes.
Em sua investigação, Miguel detalha a biografia de Jeová Assis Gomes, cruspiano assassinado pela Ditadura Militar.
O Crusp visto por um mineiro
Derneval R.R. da Cunha – 2009
O ex-cruspiano Denerval fez esse trabalho para o Projeto Nascente, um concurso artístico da USP destinado aos estudantes de graduação e pós-graduação da USP.
Em um estilo de narrativa que lembra um manual de sobrevivência, diversos aspectos atemporais da vida no Crusp foram destrinchados e intercalados por causos e opiniões pessoais.
Crusp 68
SiteComunidade de cruspianos dos anos 60
O grupo formado por residentes do Crusp entre 1963 e 1968 já realizou alguns encontros, atividades públicas e pretende lançar um livro de memórias escrito pelo biógrafo Jason Tércio.
Nesse espaço colaborativo dedicado à memória dos veteranos cruspianos, é possível acessar depoimentos e reflexões da moradia sob o a escalada repressiva da Ditadura Militar, além de um álbum de fotos da época.